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A relação do uso do álcool com a saúde auditiva

O álcool é uma alternativa para quem busca bem-estar, em períodos de altas temperaturas como o verão ou de baixas como o inverno, ou ainda uma ferramenta de interação social. Conforme o mais recente estudo do INPAD (Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas), da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), de 2012, realizado há cada seis anos, não houve aumento do consumo de álcool no Brasil, mas aumentou a forma de consumo, hoje mais nociva do que em 2006. Dos 4.607 indivíduos que participaram da pesquisa, com 14 anos ou mais, 54% bebem no mínimo uma vez por semana, com aumento significativo entre as mulheres. Destes, 16% consomem doses nocivas (6 doses ou mais por ocasião), e 6.8% da população é considerada dependente do álcool (10.5% de homens e 3.6% de mulheres).

 

Efeitos na audição

Apesar dos números alarmantes, não há registros oficiais na literatura médica de perda auditiva pelo consumo de álcool. Algumas estatísticas recentes indicam, inclusive, um efeito protetor do consumo de álcool sobre a audição, até 2 doses de bebida fermentada - não destilada, ao dia, muito semelhante aos estudos sobre as doenças cardiovasculares, que também demonstram um efeito protetor. Em pessoas que fazem uso nocivo de bebida alcoólica os estudos já revelam alterações secundárias, ou seja, alterações neurológicas, mas ainda assim não se tratam de mudanças estruturais no ouvido e cóclea (local do ouvido interno onde a energia mecânica do som é convertida em sinal elétrico que é transmitido ao cérebro).

O álcool é conhecido como um possível causador de lesões no sistema auditivo por falhas na transmissão do som da cóclea ao sistema nervoso central. O consumo de álcool, especialmente em altos níveis, causa diversas alterações cerebrais, entre elas alterações no processamento auditivo - interpretação do som e da linguagem falada. Alguns estudos também demonstraram possíveis lesões diretas do álcool às células da cóclea, mas ainda não comprovaram o impacto do consumo de álcool na perda auditiva, observada na população com o envelhecimento.
 
Em relação aos efeitos do consumo de álcool na audição de homens e mulheres, as estatísticas mais recentes sobre o assunto não demonstram diferenças entre os sexos. O fato é que as mulheres são mais sensíveis ao álcool de forma geral, doses menores são capazes de produzir um efeito maior nas mulheres devido a diferenças metabólicas e de massa corporal.
 
 
 

Data Postada: 06/03/2017