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Obesidade: peso ideal reduz o risco de doenças nocivas à audição

Em alguns estudos, a obesidade foi relacionada à perda de audição precoce diferente da média esperada na população geral, que aponta uma decorrência natural do envelhecimento. Aparentemente este não é um efeito direto, mas relacionado às doenças cardiovasculares e metabólicas, estas sim associadas à obesidade. A hipertensão, pressão alta, cardiopatia isquêmica (doença relacionada à obstrução das artérias coronárias que leva à angina e infarto), a doença cérebrovascular manifestada como derrame cerebral e o diabetes são as principais doenças sistêmicas que afetam o ouvido. Portanto, diversas doenças que não são específicas do ouvido, mas sistêmicas podem afetar a audição, doenças diretamente vinculadas ao sobrepeso e à obesidade.

 

Homens e mulheres estão igualmente sujeitos às alterações auditivas relacionadas à obesidade. Os idosos, por serem a população que comumente já apresenta alterações auditivas relacionadas ao próprio envelhecimento, são os mais afetados. “Parece haver uma ‘soma’ de efeitos: doenças metabólicas como diabetes, hipotireoidismo, doenças cardio e cérebrovasculares, relacionadas à obesidade, podem provocar um ‘envelhecimento’ precoce das células da orelha interna, provocando perda auditiva bilateral e progressiva”, esclarece a Otorrinolaringologista, Dra. Daniela Preto. Assim, alterações, comumente esperadas somente após os 65 ou 70 anos de idade, podem aparecer bem antes, aos 50 anos ou até mais cedo.

 
Doença silenciosa

Como a doença é lenta e progressiva, o indivíduo pode não perceber que está perdendo a audição, pelo menos nas fases iniciais. Especialmente porque os sons mais agudos são os primeiros a serem afetados e, no dia a dia, isto pode não ser percebido. Dificuldades de entendimento de algumas palavras, comumente quando existe ruído no ambiente da conversa, dificuldades de entender a fala ao telefone ou mesmo um simples zumbido podem ser manifestações iniciais destas alterações. As doenças metabólicas e cardiovasculares podem, inclusive, ter como primeira manifestação um sintoma auditivo, o qual pode ser detectado, primeiramente, em uma consulta ao otorrinolaringologista, com a identificação de um estágio inicial do diabetes.

A prevenção é possível

O tratamento principal é a prevenção: manter o peso ideal ou próximo dele ao longo da vida reduz significativamente o risco de desenvolver as doenças metabólicas e vasculares que são nocivas à orelha interna. Tratar as doenças já estabelecidas também é fundamental, com o uso adequado dos medicamentos para a hipertensão, o diabetes, as doenças cardiovasculares e o hipotireoidismo, fazendo assim o controle destas patologias. Esses cuidados previnem o estabelecimento da perda auditiva e também podem reverter total ou parcialmente as lesões já estabelecidas, desde que o diagnóstico e tratamento sejam precoces. “É fundamental comentar sobre qualquer sintoma de perda auditiva e zumbido com o seu médico, para que exames sejam realizados periodicamente para avaliar a saúde auditiva. Uma audiometria periódica pode detectar alterações bem iniciais e deveria ser realizada mesmo em pacientes sem sintomas auditivos, quando houver obesidade ou doenças relacionadas a ela”, orienta a Dra. Daniela. A interação entre o médico clínico, o otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo também é fundamental para diagnosticar e acompanhar essas alterações auditivas.

“Manter bem a saúde em geral, também faz bem aos seus ouvidos. Uma dieta balanceada, exercícios físicos regulares e um estilo de vida saudável, com tratamento das doenças sistêmicas, são fatores essenciais para a manutenção da saúde auditiva”, conclui a especialista. Segundo a Dra. Daniela, o ideal é que possuindo alguma dessas doenças, o indivíduo procure um otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo para realizar uma audiometria e avaliar a audição, mesmo que não possua sintomas de perda auditiva. Se forem detectadas alterações, o paciente será orientado, de forma adequada, a tratar rigorosamente as doenças sistêmicas e, dependendo do grau e do tipo de alteração e sintomas que houverem, a reabilitação com o uso de próteses auditivas deve corrigir e compensar estas alterações, melhorando a qualidade de vida.

 
 
 

Data Postada: 14/03/2017