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Miss Surda Mundo: conheça a brasileira referência internacional de beleza

Apesar de cada vez menores e fabricados com materiais muito discretos, os aparelhos auditivos ainda parecem estranhos para muitas pessoas que vivem a carência auditiva. Um dos impeditivos para que o uso dos dispositivos sejam adotados é, sem dúvida, a questão estética. Usuária de aparelhos auditivos bilateral, desde que tinha 1 ano e 8 meses de idade, a paranaense Thaisy Payo não só convive com tranquilidade com o acessório como virou referência de beleza ao conquistar o título de Miss Deaf World ou Miss Surda Mundo.

Surdez na família

Com uma surdez moderada desde o nascimento, Thaisy foi diagnosticada, aos nove meses de vida, com um infecção intestinal que necessitou ser tratada com o uso frequente de antibióticos potentes, medicamentos que acabaram ocasionando a perda profunda da sua audição. Sua irmã caçula também usa aparelhos auditivos devido a perda moderada da capacidade auditiva. Ambas se comunicam com o mundo por meio da linguagem de sinais e com o apoio da fala restrita.

Preconceito

E por não ser apenas um rosto bonito, Thaisy buscou qualificação profissional e graduou-se em Farmácia, Estética, além de formar-se como professora de Libras, maquiadora e atuar também como atriz e modelo. Ainda assim, ela enfrenta o preconceito pela sua deficiência auditiva. “A principal dificuldade, a mais importante, é a falta de informação, nas mais diversas situações, por meio da língua de sinais. Isso aconteceu quando eu estudava, nos vestibulares, e ainda hoje quando busco qualificação”, lamenta.

O Concurso

Quanto ao concurso internacional, realizado em Praga, na República Tcheca, Thaisy considera uma forma importante de combate ao preconceito. “A experiência é inexplicável, fiz muitas amizades com pessoas surdas como eu, de quase 50 países. Aprendi a língua de sinais internacional, conheci lugares e pessoas maravilhosas”, conta com saudades da experiência vivida em 2013. Além de considerar que o ganho para quem uso o aparelho auditivo é muito superior à preocupações estéticas, Thaisy avalia que a necessidade de avanços na acessibilidade é o que deve ser priorizado. “Ainda precisamos evoluir em muitos direitos, como a criação da disciplina de Libras no currículo escolar do ensino fundamental e a oferta de legendas, também em Libras, em todas as redes de televisão”, ressalta.

Mesmo sem o retorno total da audição apesar do uso dos aparelhos, devido a sua perda profunda, Thaisy não nega o quanto o dispositivo auxilia para que ela tenha uma vida mais segura e eficiente. “Uso com muita naturalidade e aceitação. Ele me favorece, pois assim consigo perceber os sons mais diversos e isso torna o meu dia a dia muito mais fácil”, conclui.

Data Postada: 24/03/2017