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Como a deficiência auditiva pode levar – e leva! – à depressão

Como a deficiência auditiva  pode levar – e leva! – à depressão

Antes de mais nada, uma coisa precisa ficar clara: a surdez, por si só, não é um pré-requisito para a depressão. Dito isto, precisamos entender que a dificuldade em ouvir pode levar a um processo de exclusão social e, mais tarde, sim, à depressão.

Isso porque a perda auditiva ocasiona uma falta de conexão com o mundo exterior, tornando-se uma experiência bastante solitária. Por isso é importante que familiares e amigos estejam atentos a sinais de perda de audição, como ter dificuldade na compreensão de conversas ou deixar de perceber sons ao redor, como no trânsito ou em locais públicos com grande concentração de pessoas.

 Além do isolamento natural, simplesmente por não participar das interações interpessoais com a mesma facilidade, a limitação se estende a hábitos tão banais quanto assistir televisão, dirigir, pedir informações em locais públicos ou ir ao cinema. Estas situações criam um constrangimento para a pessoa com deficiência auditiva e, com o tempo, uma sensação de inutilidade que é uma das principais causas da depressão.

O perigo é não tratar

Pesquisa realizada pelo Conselho Nacional sobre Envelhecimento, dos Estados Unidos, aponta que quem não usa aparelhos auditivos mesmo tendo necessidade apresenta 5% a mais de probabilidade de ter depressão. As pessoas esperam em média seis anos para procurar ajuda, depois que os primeiros sinais aparecem. A negação do problema e a falta de conscientização são os principais fatores que contribuem para isso, agravando o problema e causando raiva, frustração, depressão e ansiedade.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Otologia, entre 15% e 20% da população brasileira tem zumbido, sintoma que indica perda auditiva. No entanto, apenas 15% desse total se sentem incomodados a ponto de procurar ajuda médica. Isso significa que boa parte dos deficientes auditivos do Brasil estão expostos a consequências muito mais graves do que a própria perda de audição, como isolamento, constrangimento, sentimento de inutilidade e depressão.

Tristeza ou depressão?

É comum que estes dois conceitos se confundam. A tristeza nem sempre é um sentimento prejudicial – segundo especialistas, é até necessário algumas vezes. O importante é estar atento ao grau de intensidade, frequência, duração e prevalência sobre os demais sentimentos. A Organização Mundial da Saúde considera indicativos de depressão a tristeza permanente, desinteresse por atividades motivadoras e incapacidade de realizar tarefas diárias por mais de duas semanas. É importante estar atento!

Data Postada: 30/08/2018